Review – Dominant Species

19/04/2017 | Meeple e Cards | Por: Ghost

O ano é 90.000 A.C. A Terra está esfriando rapidamente. Enquanto as terras mais próximas aos polos congelam as espécies que vivem no planeta travam uma dura batalha pela sobrevivência se adaptando da melhor forma possível à rápida mudança climática. Você vai conseguir sobreviver e fazer com que as suas espécies sejam as dominantes?

NOTA: Caso não se lembre das aulas de biologia, “Gênero” de animais é o “conjunto de seres ou objetos que possuem a mesma origem ou que se acham ligados pela similitude de uma ou mais particularidades”. Um gênero de animais abrange diversas espécies.

Dominant Species é um board game criado por Chad Jensen (linha Combat Commander) e é um jogo sensacional.

O tabuleiro de Dominant Species

O tabuleiro de Dominant Species

Cada jogador representa um gênero de animais (Mamíferos, Aves, Répteis, Anfíbios Aracnídeos ou Insetos) tentando sobreviver durante o início da mais recente Era Glacial. Ao longo da partida você vai precisar desenvolver novas espécies do seu gênero, “mutar” suas espécies para que elas sobrevivam com novos recursos, colocar recursos no mapa e, de vez em quando, dar uma sacaneada de leve nos outros animais (nesse caso, os jogadores adversários). A ordem inicial de jogo é definida pela cadeia alimentar: mamíferos jogam primeiro, seguidos pelos répteis, aves (sim, eu sei, repteis jogarem antes das aves é esquisito, mas parece funcionar no jogo), anfíbios, aracnídeos e, finalmente, insetos.

Dominant Species - As Fichas do Jogo

As fichas do jogo | Fonte – Boardgamegeek

A quantidade de opções a cada turno assusta um pouco no começo, e pode deixar jogadores iniciantes meio perdidos, mas após algumas rodadas tudo fica mais claro. As ações disponíveis a cada turno são:

Initiative (Iniciativa): Avança uma posição na ordem de jogo.

Adaptation (Adaptação): Adiciona um novo recurso às suas espécies, tornando-as mais versáteis.

Regression (Regressão): Remove um recurso de todas as espécies em jogo

Abundance (Abundância): Adiciona recursos ao tabuleiro

Wasteland (Terra Devastada): Elementos remanescentes aqui são removidos dos tiles de tundra

Depletion (Depleção): Remove recursos do tabuleiro

Glaciation (Glaciação): Congela um tile, transformando o terreno dele em tundra (o que tem uma série de implicações no jogo)

Speciation (Especiação): Adiciona novas espécies do seu gênero ao tabuleiro

Wanderlust (Sede de Viagem): Adiciona novos tiles ao tabuleiro, expandindo o terreno.

Migration (Migração): Move sua espécies para tiles adjacentes

Competition (Competição): Elimina espécies adversárias

Domination (Dominação): Pontua um tile

Falando em opções a cada turno, Dominant Species possui uma mecânica da qual, particularmente, gosto muito: não existe o turno do jogador. Existe apenas o turno. Durante a fase de planejamento um jogador por vez coloca seus peões de ação (Action Pawns – APs) nas ações que deseja realizar naquele turno. Após todos colocarem um AP o ciclo reinicia até que todos os APs de todos os jogadores estejam colocados. Na fase seguinte as ações são resolvidas em uma ordem padrão (independente da ordem de iniciativa dos jogadores). É uma mecânica semelhante ao Rock n Roll manager, do qual já falamos aqui.

A grande vantagem desse sistema é que o downtime (tempo de espera entre uma ação e outra do mesmo jogador) é, normalmente, bem curto (dificilmente mais do que 2-3 minutos, e não raro apenas alguns segundos), fazendo com que todos estejam atentos o tempo todo, ao contrário de jogos nos quais é comum esperar 20, 30 minutos ou mais para agir novamente (em época de tantas distrações como celulares e tablets isso faz MUITA diferença). Todas as vezes que joguei Dominant Species os jogadores ficaram focados o tempo inteiro, praticamente sem desviar os olhos do tabuleiro.

Outra característica interessante do jogo é que ele é assimétrico, ou seja, há diferenças de gameplay conforme o gênero de animais que o jogador controla. Está jogando com aracnídeos? Então você têm uma ação de competição gratuita a cada turno. Insetos? Uma ação de especiação gratuita. Aves? Quando for migrar suas espécies podem se mover 2 tiles, enquanto os demais animais apenas um e por aí vai.

A assimetria não é grande e, na verdade, leva um tempo para os jogadores aprenderem a realmente usar bem a “habilidade especial” de cada tipo de animal e fazer diferença na vitória.

Para dar uma mãozinha com isso tudo cada jogador conta com uma “colinha” personalizada: um cartão (ficha) onde está marcada a sequência do turno, devidamente personalizada para cada gênero de animais.

Dependendo da quantidade de jogadores o número de APs disponível no começo muda. Quanto mais jogadores, menos APs, ou seja, cada um acaba realizando menos ações por turno, o que nos leva diretamente à questão do número ideal de jogadores.

A caixa diz que podem ser de 2 a 6, mas com apenas dois jogadores são necessárias modificações profundas nas regras, e o próprio manual recomenda que nesse caso cada jogador assuma o controle de dois gêneros de animais o que, a meu ver, indica que o número real é 3-6 jogadores. E vale citar a experiência: jogar Dominant Species em seis pessoas é quase sufocante. Há pouquíssimas ações para cada jogador a cada turno, são enormes as chances de você não conseguir alocar seus APs onde havia planejado no começo, e cada erro é punido severamente (e, por incrível que pareça, isso foi um elogio).

Rolando uma partida com 6 jogadores, haja coração.

Rolando uma partida com 6 jogadores, haja coração.

As benditas cartas

E tem as cartas. Ah… as cartas de Dominant Species.

Quando alguém realiza a ação de Dominação existe a possibilidade de um dos jogadores (não necessariamente o mesmo que realizou a ação) utilizar uma das cinco cartas disponíveis (de um total de 25) e é aí que o bicho pega (pun not intended).

O efeitos das cartas é, em geral, dramático. Algumas te dão um AP extra pelo resto do jogo (faz MUITA diferença se isso acontecer nos turnos iniciais), outras causam uma catástrofe de extinção em massa em certa região do tabuleiro, outras congelam um tile instantaneamente (transformando-o em tundra, equivalente a uma ação de glaciação), além de muitas outras possibilidades. Uma boa jogada com as cartas pode virar um jogo perdido (ou massacrar o jogador que está liderando).

Você precisa estar preparado para mudar sua estratégia constantemente, adaptando-se a um ambiente em contante mutação.

As famigeradas cartas do jogo

As famigeradas cartas do jogo | Fonte – Boardgamegeek

Sobre a arte

A partir da 3a Edição o jogo ganhou uma bela repaginada, tornando aquilo que era “apenas” bastante funcional em algo muito bonito:

Esses são os tiles das edições antigas | Fonte: Boardgamegeek – RogerLeroux

E esses são os da 3ª edição | Fonte: Boardgamegeek - RogerLeroux

E esses são os da 3ª edição | Fonte: Boardgamegeek – RogerLeroux

Uma bela evolução, não?

Uma bela evolução, não? | Fonte – Boardgamegeek

Conclusão

Dominant Species é um Wargame dos bons, com mecânicas de controle de área e um tremendo de um “frita-cérebro”. Não é, definitivamente, um jogo leve. É BEM hardcore e demanda uma certa maturidade dos jogadores (como todo wargame para mais de duas pessoas). Se estiver disposto a queimar bastante fosfato, é uma excelente opção para uma tarde entre amigos.

Infelizmente o jogo ainda não conta com uma versão em português.

  • Tempo de jogo: 2-4 horas
  • Jogadores: 2*-6 (ótimo: 4)
  • Dependência de idioma: média/alta

*Trata-se de um daqueles jogos com regras diferenciadas (entenda-se: gambiarra) para se adequar a 2 jogadores. O próprio manual aconselha que nesse caso cada um assuma o controle de dois gêneros diferentes. Honestamente? Para jogar em duas pessoas têm muitas outras opções melhores no mercado.

Ah, como bônus deixei aqui um gameplay do jogo, caso vocês queiram conhecer um pouco mais (em inglês).

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