Como se joga RPG?

22/01/2017 | Baú do Mestre | Por: Zamboman

Agora que você já sabe o que é RPG, vamos falar sobre como se joga RPG.

A primeira coisa que você precisa saber é: não existe jeito certo ou errado de jogar. Cada jogador e mestre desenvolve o seu estilo e não há nada de errado com isso. A única regra que recomendamos que todos sigam é a diversão.

Mas se não existe certo ou errado, como eu jogo RPG?

Vamos abordar aqui primeiramente o jogador e no próximo post vamos falar sobre o papel do Mestre.

Quando convidamos alguém para começar a jogar, explicamos um pouco sobre a aventura e o cenário onde ela ocorre. Passamos rapidamente pelas regras principais, jogadas de dados e a ficha do personagem, ou seja, o básico para que a pessoa não se sinta perdida em meio a tanta informação.

Alguns mestres gostam de explicar em detalhes toda a ficha de personagem e as rolagens de dados relacionadas. Outros preferem simplesmente explicar esses conceitos conforme o jogo anda, deixando a imersão acontecer aos poucos. As duas abordagens funcionam e tem seus prós e contras.

Porém, a coisa mais difícil nesse primeiro momento é a interpretação do personagem. Muitos jogadores se sentem perdidos logo nos primeiros minutos da aventura e quando dizemos que ele tem que interpretar uma outra pessoa as próximas perguntas são:

Mas preciso sair andando por aí fazendo gestos?”;

Tem que se fantasiar ou usar uma roupa diferente ou algo do gênero?

É interpretar… tipo… no teatro?

E por aí vai. São todas perguntas normais de quem está começando e não há nada de errado nisso, ok?

Dando vida ao personagem

Quando jogamos, pegamos a ficha de personagem, que pode estar pronta ou não, e transformamos aquele amontoado de números em algo com significado.

Por exemplo, o mestre lhe entrega uma ficha pronta e diz: “esse personagem é um policial veterano prestes a se aposentar. Ele tem dificuldades em usar a tecnologia do pessoal mais novo e gosta de fazer as coisas à moda antiga, como interrogar as pessoas ao invés de buscar informações nos computadores da delegacia.

A primeira vista parece um grande desafio dar vida a um personagem assim, mas será mesmo?

O cinema e as séries de TV estão cheios de referências como esta. Você não precisa criar algo do zero, você pode pegar emprestado algumas coisas ou o personagem inteiro que você viu num filme, por exemplo.

Essa inclusive é uma boa dica para quem está começando, busque referências. Uma maneira de falar ou de vestir, uma mania ou um tique nervoso. Você pode usar qualquer característica na hora de interpretar ou descrever seu personagem.

Voltando ao exemplo do policial veterano, ele pode ser alto, baixo, gordo, magro, pode mancar de uma perna, pode ser fumante ou amante de comida mexicana. Ele pode ter um sotaque por se estrangeiro ou pode sempre falar baixinho. As possibilidades são infinitas.

Bancando o ator

Outro fator que considero importante é a forma como as pessoas interpretam, ou seja, como elas fazem o “roleplay” na hora do jogo. Algumas conseguem se colocar no papel do personagem e falam como se ele estivesse ali, naquele momento na mesa de jogo. Outras preferem descrever as ações do seu personagem, falando em terceira pessoa. Vejamos outro exemplo.

O mestre descreve uma cena e pede uma ação: “Você chega ao endereço do bilhete em suas mãos. É uma casa simples como outra qualquer. Você percebe que a luz da sala está acesa e consegue perceber algum movimento lá dentro. Não há portões ou muros, a porta da casa dá acesso direto à rua. O que você faz?

Resposta do jogador: “Olho para os lados para me certificar que não tem ninguém me seguindo e vou até perto da janela dar uma espiada.

Resposta do jogador: “Meu personagem olha ao redor para ver se não foi seguido e depois vai até a janela dar uma espiada”.

A diferença pode parecer sutil, mas muitos jogadores se sentem perdidos ao ter que interpretar certas ações de seus personagens. A situação complica mais quando essas ações não são comuns a realidade do jogador, como escalar um muro, seguir uma pessoa na multidão sem ser notado ou puxar papo com um estranho em busca de informações.

O importante é saber que tudo isso é normal. Com o tempo e observação você vai melhorando a forma como joga e criando um estilo próprio. E na dúvida você sempre pode perguntar ao mestre e aos demais jogadores o que eles fariam numa situação dessa.

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