Adaptando Raças para seu Mundo de RPG

12/04/2017 | Baú do Mestre | Por: nestokun

Desde que o RPG foi criado (segundo as lendas o primeiro foi o D&D, criado lá pelas idas de 1974), os Mestres e Narradores lidam com esta situação: Você assiste algum filme, desenho, seriado na TV ou no computador, e surge aquela ideia fantástica para usar um dos personagens – e sua respectiva raça – para fazer o seu personagem dentro de seu mundo de campanha. Ou apenas quer experimentar algo diferente, algo novo – e que não está coberto pelas regras já existentes no sistema que você usa. No caso do D&D eles precisaram adaptar as raças do conhecido “O Senhor dos Anéis”, chegando até a criar sua própria versão do Hobbit (o Halfling), afinal o termo Hobbit lhes foi proibido (uma história interessante, mas que trarei em outra oportunidade).

A vontade de ter personagens novos e diferentes dos outros é comum para os jogadores também. E cabe aos Mestres criarem estas novas espécies, estas novas raças para seus jogadores. Ou cortar logo a ideia e dizer um sonoro “Não”. Como isso raramente funciona, acho mais produtivo dar umas dicas sobre a adaptação de raças para seu mundo de campanha, nascidas de anos e anos fazendo as vontades dos jogadores mais mimados que o mundo já criou e confeccionando regras para as raças de meu mundo de campanha pessoal.

O sistema mais comum para tais adaptações é o D20 – pois raças diferentes não possuem exatamente regras muito fixas em Storyteller, e em GURPS – até onde me lembro – a criação de raças já é bem coberta pelo sistema.

Então vamos lá, para as dicas.

Vale tudo nas adaptações

Vale tudo nas adaptações, até mesmo jogar com Gnolls | Fonte: Pinterest

Primeira dica: Mantenha simples

O jeito mais simples geralmente é o melhor. Se pergunte, quando decidir criar conteúdo para seu mundo de campanha: É realmente necessário adaptar esta nova raça? Se minha nova raça pode ser usada com as regras de uma raça já existente, ótimo. Não mudo nada das regras desta raça e as transcrevo para a minha. Caso elas necessitem de alguns ajustes, tento manter o máximo da original.

Digamos que eu assisti um Anime (desenho animado japonês) que tinha uma raça tão legal de homens gato que eu simplesmente preciso incluir eles em meu mundo de campanha. Vou nomear eles como Bast (em homenagem a deusa egípcia dos gatos). Segundo minha memória do anime que assisti, os Bast são pequenos e ágeis, bons escaladores e ladrões naturais. Eles se adaptaram à vida nas cidades, mantiveram a perícia com escaladas e enxergam bem no escuro.

Usando o D&D (seja o 3.5 ou o 5.0), a conversão não é difícil. Já existe uma raça tremendamente semelhante a dos Bast, e ela já possui suas regras e estatísticas testadas e aprovadas: o próprio halfling. As habilidades e traços raciais encaixam com a minha nova raça. Tudo o que precisa ser feito é um pouco de polimento.

Adaptando raças - Os Bast

A raça Bast | Fonte: Tahra art (Facebook)

Um halfling (Pés-leves) no novo D&D 5.0 recebe as seguintes características:

Aumento no Valor de Habilidade

Seu valor de Destreza aumenta em 2.

Idade

Um halfling atinge a idade adulta aos 20 anos e pode chegar a 150 anos.

Tendência

A maioria dos halflings é leal e boa. Via de regra, eles possuem um bom coração e são amáveis, odeiam ver o sofrimento dos outros e não toleram a opressão. Eles também são muito ordeiros e tradicionais, fortemente apegados à sua comunidade e ao conforto de suas antigas tradições.

Tamanho

Halflings medem cerca de 0,90 metro de altura e pesam aproximadamente 20 kg. Seu tamanho é Pequeno.

Deslocamento

Seu deslocamento base de caminhada é 7,5 metros.

Sortudo

Quando você obtiver um 1 natural em uma jogada de ataque, teste de habilidade ou teste de resistência, você pode jogar de novo o dado e deve utilizar o novo resultado.

Bravura

Você tem vantagem em testes de resistência contra ficar amedrontado.

Agilidade Halfling

Você pode mover-se através do espaço de qualquer criatura que for de um tamanho maior que o seu.

Idiomas

Você pode falar, ler e escrever Comum e Halfling. A linguagem Halfling não é secreta, mas os halflings são relutantes em compartilhá-la com os outros. Eles escrevem muito pouco, por isso eles não possuem uma literatura rica. No entanto, sua tradição oral é muito forte. Quase todos os halflings falam o idioma Comum para conversar com as pessoas das terras que habitam, ou através das quais eles estejam viajando.

Sub-raça

PÉS-LEVES: como um halfling pés-leves, você pode esconder-se facilmente, mesmo usando apenas outras pessoas como cobertura. Você geralmente é afável e se dá muito bem com os outros.

Halflings clássicos de D&D

Halflings clássicos de fantasia medieval  | Fonte: Pinterest

Com a exceção do sortudo e da tendência, estas características batem com o que imaginei para os Bast. Eu só incluo Visão na Penumbra e removo o Sortudo, pois ver com pouca luz é uma capacidade que faz sentido para um povo gato, e sorte já não faz tanto sentido assim. Mudo a tendência comum dos Bast para neutro e bom, para refletir a natureza mais próxima do ‘animal interior’ que eles mantém, e sua idade média segue a mesma dos humanos (18 – 90 anos). Eles são, como os halflings, criaturas de tamanho ‘pequeno’. Com isto, eu praticamente não preciso adaptar mais a raça, só preciso incluir o ‘lore’.

[Nota: Lore é o conjunto de informações a respeito do universo do jogo. A história, a cultura das raças, o significado das palavras nas línguas dos povos, o funcionamento da magia e do cosmos, a geografia… Tudo isso ta incluso no que as pessoas se referem por “lore]

Olho o produto final e resolvo incluir proficiência na Perícia Atletismo, para refletir a aptidão para escaladas. E é só. Tenho uma raça nova, completamente pronta para o uso.

Claro que nem toda conversão é assim, fácil. Algumas raças são complicadas ou muito diferentes para que um sistema já tenha regras que se adaptem para ela. Essa segunda parte das dicas fica para o nosso próximo post.

Abraços  e até lá!

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